06 dezembro, 2008

Museu de Arte Islâmica - Qatar

O Museu de Arte Islâmica em Doha, Qatar, projectado pelo arquitecto I.M.Pei, abriu portas oficialmente na passada segunda feira, dia 1 de Dezembro de 2008. Dedicado à reflexão da extensão da vitalidade, complexidade e diversidade da Arte no Mundo islâmico, este Museu irá coleccionar, perservar, estudar, além de exibir, peças de arte que retratam três continentes desde o século VII até ao século XIX.


Com cerca de 376mil m2 o Museu de Arte Islâmica ergue-se das àguas na
Baia de Doha no Golfo Pérsico e alberga uma colecção de arte internacional em galerias que se distribuem em torno de um átrio central de 5 pisos. O resultado deste projecto é o fruto de um percurso de descoberta e compreensão da diversidade da Arquitectura Islâmica levado a cabo por I.M.Pei. Nas suas visitas à Grande Mesquita de Córdoba em Espanha; ao Fatehpur Sikri na cidade indiana de Mughal; à Grande Mesquita Umayyad em Damascus, na Síria; e às fortalesas Ribat em Monastir e Sousse na Tunísia; o arquitecto descobriu que as diferentes interpretações da Arquitectura Islâmica são influenciadas pelo clima e pela cultura local, no entanto nenhum dos exemplos visitados evocavam a verdadeira essência do espírito islâmico, na sua opinião.
A referência final que conduziu ao conceito do projecto foi a Fonte da Absolvição (Sabil na cultura islâmica) da
Mesquita de Ahmad Ibn Tulun no Cairo, do século XIII. Segundo Pei na “austeridade e a simplicidade” da Fonte encontrou “uma arquitectura severa que ganha vida através da luz do sol, com as suas sombras e nuances de cores”. A Fonte oferecia “uma expressão quase cubista de evolução geométrica”, evocando uma visão abstracta do conteúdo por detrás do design dos elementos da Arquitectura Islâmica.
Recusando construir o seu Museu nos diversos locais propostos, I.M.Pei sugeriu a criação de uma ilha de modo a assegurar que no futuro nenhum outro edifício fosse obstruir a presença do Museu. O edifício situa-se no mar, a cerca de 195 pés do Estreito de Doha. Um parque constituído por dunas e oásis de aproximadamente 64 hectares situa-se na linha de costa, oferecendo abrigo e uma paisagem de fundo pitoresca ao Museu.
Construído com materiais nobres, tais como Calcário de Magny e Chamesson, vindo da França, Granito Jet Mist dos Estados Unidos, aço inox da Alemanha e betão armado do Qatar, o Museu divide-se em dois blocos, um central de 5 pisos e uma extensão de dois pisos, que se relacionam entre si através de um pátio central. Os volumes angulares do edifício principal, vão-se estreitando progressivamente de forma concêntrica até atingirem uma altura de 50m, no ponto central do átrio do edifício, assemelhando-se no exterior a uma torre. No topo deste volume, uma clarabóia capta e reflecte luz para o interior do átrio. A luz tem um papel fundamental na Arquitectura Islâmica, especificamente neste projecto, transformando as formas geométricas num jogo de sombras e luz.
Uma fachada de vidro situada no lado norte do museu oferece vistas panorâmicas, aos 5 pisos do átrio central, do Golfo e da zona oeste da baia de Doha. Os tectos são decorados com motivos geométricos intrincados, e candeeiros em metal perfurado descem ao longo do átrio central. Dois torreões com 30 metros cada, marcam a doca de chegada dos barcos, criando um efeito cénico imponente.
As galerias expositivas foram desenhadas por
Jean-Michel Wilmotte, nas quais predomina pórfiro cinzento-escuro e painéis em faia.
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Referências:
1. Grande Mesquita de Córdoba.
2. Grande Mesquita Umayyad em Damascus, na Síria.
3. Fatehpur Sikri na cidade indiana de Mughal.
4. Fortalesa Ribat em Monastir.



5. Fortalesa Ribat em Sousse.

6. Mesquita de Ahmad Ibn Tulun no Cairo.

04 dezembro, 2008

Tree House

A TREE HOUSE, é um novo conceito de construção desenvolvido pela Jular que alia sustentabilidade e modularidade pode ser visitada no Green Fest, o primeiro festival sobre sustentabilidade em Portugal, a partir de hoje e até dia 8, no Centro de Congressos do Estoril. A Casa de Sonho Treehouse, com uma área de 22m2, vai ser decorada pela Fusion. Considerada Eco-friendly, é uma casa em estrutura modular, fabricada com madeira, a matéria-prima mais amiga do ambiente, onde a palavra-chave é o ambiente e a utilização racional de recursos. Adicionalmente, esta casa está preparada com soluções para reduzir o consumo de energia, como painéis solares térmicos para o aquecimento da água e da habitação, e tratamento de efluentes. As tipologias base permitem encontrar, de uma forma rápida, uma configuração de módulos que se adapta facilmente às necessidades de cada um. Os módulos têm uma área de 22m2, e são acopláveis entre si lateralmente e superiormente, permitindo adaptações em largura e em altura, consoante as necessidades. A arquitectura é contemporânea, de qualidade (Appleton e Domingos), depurada e funcional, com atenção ao detalhe.
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01 dezembro, 2008

Hotel Aire de Bardenas

O Hotel Aire de Bardenas, foi um dos vencedores dos prémios Ar Arquitecturas Emergentes, da autoria dos arquitectos Emiliano López & Mónica Rivera.
O programa base para este projecto poderia ter sido, à primeira vista, discutível e pouco pertinente, criar um hotel de elevadíssima qualidade com base num design exclusivo e distinto num local cujas características ambientais incluem temperaturas extremas, vento constante, e remoinhos de areia do deserto das Bardenas. Por outro lado, podem-se encontrar atracções naturais junto a esta zona de Navarra, tais como pântanos e zonas verdes irrigadas junto às margens do rio Ebro, um espectro de diversidade que abrange zonas férteis e áridas.
A resposta dos arquitectos foi impressionante, tendo em conta as dificuldades e os constrangimentos, nos quais se inclui o tempo e o orçamento, que foram tidos em conta como ponto de partida para um projecto cujo resultado tem de inesperado como de funcional. As caixas de madeira empilhadas que marcam o perímetro deste empreendimento hoteleiro servem de barreira ao vento, permitindo no entanto a circulação de ar. Esta solução revelou-se bastante inteligente, uma vez que o seu preço é reduzido (servem para embalar produtos frutícolas e hortícolas) são facilmente transportáveis e não necessitam de fundações.
Além do mais, permitiu manter o tempo de construção do projecto nos 14 meses estipulados e requeridos pelo empreendedor. Igualmente a aplicação desta solução estabelece um paralelo com a arquitectura vernacular relacionada com os edifícios agrícolas que existem nesta região.
Os constrangimentos naturais que existiam neste projecto podiam ter sido direccionados como um problema, ao invés resolveu-se aceitar as condicionantes e tirar vantagem da beleza natural que era oferecida, através da construção de janelas em madeira que se destacam dos interiores dos módulos que definem os quartos, estabelecendo assim verdadeiras molduras que captam as diversas vistas que se podem desfrutar neste local, sejam as planícies áridas e as montanhas em pano de fundo, ou simplesmente espaços íntimos entre os quartos e o perímetro das instalações.
As janelas exteriores permitem criar uma espécie de enquadramento para a paisagem, servem de ensombramento além de funcionar como uma espécie de cama extra, ou zona de sentar-estar junto à janela. Os quartos foram posicionados Norte/Este de modo a oferecer as melhores vistas e evitando a exposição solar directa.
A especificidade da concepção deste projecto está relacionada não só com as condições do local mas também os seus interiores. Os arquitectos desenharam zonas de banho padronizadas, assim como chuveiros e lavatórios, usando para isso chapa de aço, além da maioria do mobiliário dos quartos e das zonas públicas do hotel.
Este projecto é claramente um exemplo de como a Arquitectura pode ser um contributo para a Paisagem, podendo absorve-la e integrar-se, em vez de se impor perante a sua presença. Além de mais, este projecto destacasse pelo modo claro que as opções de desenho foram tomadas, como foi estruturado e elaborado, desde a aparência exterior aos pormenores interiores.
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