15 setembro, 2008

Varandas para o rio Reno

A cidade de Colónia tem se vindo a afirmar no panorâma da arquitectura graças a uma série de projectos que visam requalificar algumas zonas da cidade, ao qual se junta a uma forte dinâmica cultural de uma cidade jovem e de espiríto inovador. Projectos como o novo museu de arte sacra, Kolumba, da autoria de Peter Zumthor, ou o concurso para a renovação e expansão da Ópera de Colónia, ou mesmo, a expansão habitacional que veio revitalizar uma antiga zona industrial junto ao rio Reno, touxeram uma forte dose de contemporaneidade a esta cidade.


O projecto que destaco, é um conjunto habitacional situado nesta nova zona residencial, da autoria do atelier Romer Partner Architektur, que sobressai pela unidade na diversidade que o conjunto apresenta. A simplicidade dos gestos, a composição dos alçados - destinta, revelando dois momentos, um que confronta o rio, e outro que confronta uma zona interior de circulação pedonal - o modo como revitalizam o conceito das varandas, fazem como que dediquemos um olhar mais atento a este projecto.
A grande força deste projecto é o cuidado que foi dado à volumetria do conjunto e aos pequenos promenores que revelam a qualidade construtiva. Os alçados revelam a diversidade na unidade. A frente do edificio voltada para a zona pedonal que serve de distribuição para os diferentes edificios existentes nesta área, é composta por vãos simples, mas desobedençendo a um alinhamento repetitivo, criam uma dinâmica silenciosa, que é interrompida pela introdução de varandas, ou pela propria volumetria do edificio que cria excepções no conjunto.
O alçado principal que se debruça sobre o rio, introduz uma vivacidade e um ritmo que ajuda a desenvolver os terraços....visto que são de dimensões consideráveis, e dessimula a horizontalidade os diferentes pisos, num verdadeiro puzzle tétrico denotando diversas tipologias e diferentes modos de habitar.
Uma pequena nota, para os armários exteriores, colocados nas varandas, que sendo desenhados de raiz, resolvem uma situação que poderia ser constrangedora para o resultado final da proposta, que seria a colocação de módulos de diferentes cores e feitios por parte dos proprietários.
















Projecto: Habitação
Localização: Agrippinawerft, 50668 Colónia, Alemanha
Ano: 2006

13 setembro, 2008

RETRO - Futurismo

O fotógrafo francês, e editor-chefe da "citizen k", senhor Frédéric Chaubin, deambulou durante cinco anos da sua vida por entre a agreste região do Cáucaso, a rússia, a ucrânia, a bielorrússia e os países bálticos, à procura de velhas relíquias arquitectónicas da época soviética, nomeadamente as que eu aqui disponho, fusão entre distopia totalitária e ficção científica retro-futurista, patentes na exposição intitulada "utopia", extensão da photoespaña2008 no centro cultural de belém, lisboa, a visitar com algum interesse...«a ideia da utopia como um paraíso na terra tem pairado de forma persistente sobre o pensamento ocidental, século após século. Os relatos escritos sobre tais utopias imaginárias não só foram utilizados para criticar as relações sociais então existentes, como também para sugerir um modo de vida diferente, e melhor. Ora o poder destes registos produziu consequências reais que ultrapassam a mera literatura. No século xx, a ideia de uma sociedade utópica impeliu grandes movimentos políticos. Transversal a diferentes fronteiras ideológicas, a utopia tem sido ponto de partida para operar mudanças políticas e sociais. A sociedade perfeita, um local de harmonia, paz e igualdade para todos: este não era apenas um projecto imaginário, mas algo que podia ser construído.» [excerto do prospecto da exposição].
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Ialta, Ucrânia.

Tbilisi, Geórgia.

Kaliningrad, Rússia.

Tbilisi, Geórgia.

Ordos Villa projectada pelo Estudio Barozzi Veiga

Os arquitectos espanhóis do atelier Estudio Barozzi Veiga projectaram um edificio de habitação para uma zona interior da Mongólia, China, integrado no projecto Ordos 100.
ESte projecto de habitação faz parte de um conjunto de 100 residências, todas elas desenhadas por diferentes arquitectos escolhidos pelo atelier suiço Herzog & de Meuron para o projecto Orods 100, cuja autoria do Masterplan é do artista Ai Wei Wei.
A informação que se segue é proveniente do site do atelier espanhol:
















Private Villa

Ordos, Inner Mongolia, China

Private commission

It was our challenge in this project to find an original architectural expression for the program, which is compatible with the beauty of the site and the cinematologic elements.
Our proposal intends to translate this idea of essence and pureness present in the context, in the composition of the project. It will create a space that absorbs and intensifies the character of the place and the surrounding elements.
In contrast with the rough open space of the surrounding. The plan of the house is a pure form, a perfect square. The building appears like a monolithic cube, raised from the earth as an archaic stone. This sensible and pure building is defined by two essential elements: a glazed patio and an expressive roof.
This patio refers to the traditional Chinese houses, organised around a patio. At the same time, it allows the house to change its inner climate from winter to summer and offers the possibility to create a complex interior world with different visual and spatial relations.
The roof defines the house as the solidification of a traditional nomadic tent, an element that covers, protects and marks the place.

08 setembro, 2008

Museo Reina Sofia - Um lifting na Cidade

Fruto dos sinais dos tempos, os grandes museus da capital espanhola foram sujeitos a algumas intervenções, umas de carácter mais profundo e radical outras pequenos melhoramentos de fachada, com o intuito de "actualizar" as Grandes Senhoras de Madrid. Estas operações de cosmética, com resultados para todos os gostos, podem ir desde o toque discreto e suave que Rafale Moneo preconizou na coroa da jóia desta cidade, o Prado, ou para quem seja fã do rigor suíço, encontramos uma proposta radical e cirúrgica (houve mesmo uma remoção "clínica" de parte do volume existente) do atelier suíço Herzog & Meuron, na Caixa Fórum. No entanto, o primeiro destes a ficar pronto a ser visitado foi o Museu Reina Sofia, o museu de Arte moderna espanhol, depositário da Guernica de Picasso. Com uma cobertura flamejante, de um vermelho cor de sangue, Jean Nouvel introduz uma nova silhueta ao skyline da cidade madrilena. O edifício projectado pelo arquitecto francês privilegia o anonimato cívico, e centra-se hermeticamente no conceito de interioridade, reintrepertando o arquétipo conceito dos velhos conventos com os seus claustros. Novos espaços de exposição, uma biblioteca, auditório e um restaurante são colocados em redor de uma praça interior coberta, que através do plano superior abraça todas estas funções. Aberturas acutilantes enfatizam a profundidade da cobertura e deixam a luz entrar quase com uma intensidade Piranesiana, criando um efeito tanto opressivo como dramático. Sem dúvida um espaço refúgio, quando a escassos metros temos uma das estações mais movimentadas da cidade, a Atocha. No entanto, algumas das fragilidades do projecto estão relacionadas com o facto dos volumes serem essencialmente caixas entaipadas, que sugam a vida da praça interior, tornando este um espaço frio e deserto por vezes. A introdução de peças de escultura veio dar um carácter pictórico à praça, assemelhando-se a uma paisagem surrealista, no entanto o carácter humano continua muito ausente. Pela positiva, destacar a biblioteca, semienterrada, desenvolvendo-se em diversos pisos, que se desenvolve ao longo do alçado da rua “Ronda de Atocha”. O uso da madeira em todo o mobiliário, e a iluminação suave contribuem para o carácter de introspecção que este espaço necessita, além do facto de a sala de leitura se localizar abaixo do nível da rua, permitindo assim abrir envidraçados para ambos os lados, tanto para a praça interior como para a rua principal, sem no entanto interferir com a concentração dos leitores e permitindo a entrada de luz natural, essencial nestes espaços.



















Ministério da Cultura e Comunicação - PARIS

Na recuperação deste edifício, da autoria do arquitecto francês Francis Soler, destaca-se o revestimento em metal, que embora à primeira vista pareça somente um artifício decorativo, a sua intenção é mais pertinente, pois pretende unificar o conjunto urbano constituído por diversos edifícios de épocas diferentes, que contém o programa deste Ministério. Também pretende reinterpretar o conceito da adição defendido nos tratados de recuperação arquitectónica, a adição de novas layers ao edifício potencia uma riqueza formal e atribui-lhe uma nova identidade e existência. A intenção do arquitecto é restabelecer a coerência urbana, através de uma uniformização suave das fachadas dos diferentes blocos, podendo assim o edifício ser lido com um todo, numa lógica de continuidade urbana, e não uma soma das partes, descaracterizadas, e cuja fragmentação não adiciona nenhuma mais valia à instituição.









06 setembro, 2008

OFIS - 650 apartamentos em Ljubljana

Ljubljana é uma cidade em virtuosa transformação. O espirito jovem e inovador que caracteriza esta cidade de forte tradição escolástica, começa a produzir efeitos na arquitectura contêmporanea da Eslovénia, surgindo vários projectos onde a pesquisa formal e a busca por uma linguagem própria estão presentes. O gabinete OFIS é disso exemplo, podemos caminhar ao longo da cidade e descobrir na nova extensão residencial projectos que inquestionávelmente tem a sua marca - mesmo que desconheçamos a sua autoria, não passam despercebidos.
Apraz-me encontrar boas e novas ideias, e a arquitectura na Eslovénia começa a ser uma boa opção para satisfazer a minha curiosidade.

Deixo-vos com o projecto e algumas fotografias minhas.
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"The project is one of the biggest housing developments in Ljubljana. These are 4 housing blocks with 640 apartments and underground garage with 1200 parking spaces. The urban plane required 4 long block-stripes of apartments (app.140 m each) that has 4 floors and penthouse apartments on the top floor. The apartments are sold under government financial scheme so the cost of the construction had to be under 700 EUR/apartment. That required a simple scheme of repetitive low-cost materials. The project proposed a façade that has rule of 3 layers. One is main façade layer made of concrete and coloured plaster. Second is glass that forms winter-loggias. Third is a layer of laminate cladding that forms a geometry of fences and balcony storages. Each building is formed by 4 equal modules with 42 apartments with staircase and elevator. The façade of these modules is equal but created in a way that can be connected and be mirrored in a geometry that does not seem repetitive."